EVOLUÇÃO DA WEB E DA INTERNET
Web 2.0 - Revolução?
A Revista Webdesign de Janeiro de 2006 traz uma excelente reportagem sobre Web 2.0 do ponto de vista dos brasileiros que estão antenados no assunto. Ao invés de abordar o assunto como uma evolução de paradigmas tecnológicos, a reportagem mostra que Web 2.0 é muito mais do que isso.
Entrevista com Frederick van Amstel
O "modo perpétuo beta" é o modelo para desenvolvimento na Web 2.0?
Vejo mais o pessoal usar o selo "versão beta" como desculpa para eventuais bugs de sistemas lançados precocemente do que como incentivo para usuários sugerirem modificações no sistema. A proposta do estágio beta não é encontrar bugs. Para isso existem as versões alpha distribuídas anteriormente para os departamentos de qualidade das empresas. A moda de perpétuo beta pegou porque o investimento em Web 2.0 ainda é arriscado demais para custear departamentos de qualidade. Na medida em que o retorno seja comprovado, as empresas vão querer garantir que não haja problemas com seus sistemas e o beta terminará.
Quais são as principais diferenças da Web 2.0, em termos de conceitos e tecnologias, em relação a "Web 1.0"? Quais são as vantagens da Web 2.0?
Não gosto desse nome Web 2.0 porque dá a impressão de que houve uma Web 1.0 anterior. Web 2.0 é um movimento social que discute os fundamentos da rede, não uma versão de software ou de arquitetura de redes e é a primeira vez que isso é feito em público. A Web que temos hoje foi criada pela elite acadêmica e o W3C, que atualiza seus padrões, ainda é constituído por esse pessoal mais os engenheiros das grandes fabricantes de softwares. A grande vantagem da Web 2.0 é justamente essa: mais poder para o usuário. Ele agora é peça-chave na geração de conteúdo, pode remixar o conteúdo gerado por outros usuários, pode classificar informações como quiser, pode interagir com interfaces mais inteligentes e etc.
Alguns usuários já brincam com toda a atenção que o tema Web 2.0 vem recebendo. Independente do seu sucesso ou não, quais mudanças o conceito e a prática da Web 2.0 trará para o trabalho do webdesigner?
Para fazer Web 2.0, o webdesigner precisará entender muito melhor sua função social. Porque a empresa precisa dessa interface? Como ela se insere em suas estratégias? Quem são as pessoas que vão usá-la? Que impacto a interface tem em suas vidas? O webdesigner 2.0 precisa saber que seu trabalho vai muito além de uma tela de computador.
Podemos considerar as comunidades virtuais como o "mapa da mina" no mercado Web 2.0?
Desde que surgiu a Internet volta e meia alguém diz que o futuro são as comunidades, daí surgem um monte de iniciativas ridículas como fóruns de discussão para "troca de receitas" no site de uma marca de molho de tomate famosa. A idéia do fórum não é ruim, o problema é o lugar onde ele está. Dificilmente uma pessoa será motivada a se transformar num super-usuário (aqueles caras que carregam a comunidade nas costas) se não pode brilhar mais do que a marca do molho.
Poderiam ser oferecidos prêmios para compensar, mas será que um brinde vale mais do que ser a estrela de um fórum?
O que motiva as pessoas a participar ativamente de comunidades não é o sentimento altruísta de ajudar o próximo, mas sim o contrário. Numa comunidade virtual, as pessoas podem construir seu alter-ego e vê-lo crescer pouco-a-pouco, seja em número de amigos, figurinhas de comunidades, fãs, posts, coraçõezinhos, gelinhos e etc. É como num RPG, onde você pode escolher todas as características do seu personagem e mostrar aos outros e dizer: "olha que legal quem eu sou e os pontos que ganhei". Entretanto, para ganhar pontos numa comunidade é preciso ajudar outras pessoas, ou seja, para se ajudar é preciso ajudar o próximo!
Então o que está funcionando na Web 2.0 não são as comunidades, mas sim a ampliação de oportunidades para que ilustres desconhecidos brilhem como sempre desejaram.
No artigo "What Is the Web 2.0", Tim O'Reilly aponta que o "SQL é o novo HTML". Podemos considerar o gerenciamento de banco de dados como uma das chaves para o sucesso na Web 2.0?
Gerenciar um enorme banco de dados é fácil, difícil é extrair valor dele. Mais importante do que saber formular uma consulta SQL para retornar dados relevantes é saber como transformá-los em conhecimento. Quando um dado é contextualizado, ele se transforma em informação e quando essa informação é transmitida para alguém, ela pode se transformar em conhecimento. Se isso não acontecer, a informação é inútil. A folcsonomia do Delicious, por exemplo, permite que as pessoas colem etiquetas (tags) em urls incógnitas, permitindo que se ache ela depois que for jogada numa pilha. A etiqueta contextualiza a url e transforma-a em informação que pode ser recuperada pelo usuário. Além de permitir o acesso às urls, essa informação pode ajudar o usuário a entender seus próprios interesses e costumes manifestados no conjunto de suas etiquetas...
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