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Tecnologia
O final do século XX e início do século XXI são marcados pela explosão científico-tecnológica que abre extraordinárias possibilidades para a criação/produção do conhecimento e seu desenvolvimento. Uma explosão científico-tecnológica que impregna as sociedades interconectando o mundo, numa rica e complexa teia de inter-relações, em que são quebradas as barreiras da comunicação, tornando as distâncias irrelevantes, contribuindo para a integração econômica e tecnológica dos países, aumentando a interdependência de todos os povos.
Estamos na era da globalização, um movimento de transformação social e dos meios de produção. Esse movimento é uma decorrência da chamada Revolução Técnico-científica que, segundo Schaff (1995), ganhou força e adquiriu velocidade a partir da Segunda metade do século XX, mais precisamente, depois da Segunda Guerra Mundial. Hoje, nos vemos rodeados pelas suas mais diversas manifestações: relógios de quartzo, calculadoras de bolso, microondas, microcomputadores, telefones celulares, etc. Esse avanço tecnológico provoca, segundo Schaff, inúmeras transformações na sociedade.
Desde a formação econômica (nas formas de produção de bens e serviços, no desemprego estrutural), passando pela formação social (em que o trabalho, o trabalhador e a classe trabalhadora ganham outros significados), pela esfera cultural (em que um novo espaço social é criado – o ciberespaço – e é povoado por manifestações culturais de toda natureza). As transformações passam também pela criação de novos suportes comunicacionais (utilização de walkman, telefone celular, notebook, realização de reuniões, pesquisas, conferências, compras à distância etc). Trata-se da criação de novas formas de viver, de se relacionar, de se comunicar. Trata-se, sobretudo, da criação de novos valores que vão caracterizando uma nova sociedade e um novo homem.
Essa nova sociedade, ainda em construção, questiona a escola (sua compartimentalização disciplinar, suas grades curriculares, suas classes organizadas em função da faixa etária, sua didática, sua prática pedagógica). Nesses sentido, nos perguntamos: A escola tem acompanhado as mudanças provocadas pela revolução tecnológica? Ela tem se transformado para enfrentá-las? Que influências as novas tecnologias exercem sobre ela? Que ações estão sendo desenvolvidas no intuito de aproximar a escola das novas tecnologias?
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Os números e o ábaco
A capacidade do ser humano em calcular quantidades nos mais variados modos foi um dos fatores que possibilitaram o desenvolvimento da matemática e da lógica. Nos primórdios da matemática e da álgebra, utilizavam-se os dedos das mãos para efetuar cálculos.
Na região do Mar Mediterrâneo, surgiram o alfabeto e o ábaco. O ábaco dos romanos consistia de bolinhas de mármore que deslizavam numa placa de bronze cheia de sulcos. Também surgiram alguns termos matemáticos: em latim "Calx" significa mármore, assim "Calculus" era uma bolinha do ábaco, e fazer cálculos aritméticos era "Calculare".
As primeiras máquinas mecânicas de calcular
A primeira considerada máquina de calcular foi desenvolvida por Wilhelm Schickard (1592-1635). Esta fazia multiplicação e divisão, mas foi perdida durante a Guerra dos Trinta Anos. A primeira calculadora capaz de realizar as operações básicas de soma e subtração foi inventada em 1642 pelo filósofo, físico e matemático francês Blaise Pascal (1623-1662). Pascal, que aos 18 anos trabalhava com seu pai em um escritório de coleta de impostos na cidade de Rouen, desenvolveu a máquina para auxiliar o seu trabalho de contabilidade.
A calculadora usava engrenagens que a faziam funcionar de maneira similar a um odômetro.Pascal recebeu uma patente do rei da França para que lançasse sua máquina no comércio. A comercialização de suas calculadoras não foi satisfatória devido a seu funcionamento pouco confiável, apesar de Pascal ter construído cerca de 50 versões.
As máquinas de calcular, descendentes da Pascalina, ainda hoje podem ser encontradas em uso por algumas lojas de departamentos. Em 1671, o filósofo e matemático alemão de Leipzig, Gottfried Wilhelm Leibniz (21 de junho de 1646- 14 de novembro de 1716) introduziu o conceito de realizar multiplicações e divisões através de adições e subtrações sucessivas.
Em 1694, a máquina foi construída, no entanto, sua operação apresentava muita dificuldade e sujeita a erros. Em 1820, o francês natural de Paris, Charles Xavier Thomas, conhecido como Thomas de Colmar, (1785-1870) projetou e construiu uma máquina capaz de efetuar as 4 operações aritméticas básicas: a Arithmometer. Esta foi a primeira calculadora realmente comercializada com sucesso. Ela fazia multiplicações com o mesmo princípio da calculadora de Leibnitz e efetuava as divisões com a assistência do usuário.
A revolução industrial
Em 1801, na França, durante a Revolução Industrial, Joseph Marie Jacquard, mecânico francês, (1752-1834) inventou um tear mecânico controlado por grandes cartões perfurados. Sua máquina era capaz de produzir tecidos com desenhos bonitos e intrincados. Foi tamanho o sucesso que Jacquard foi quase morto quando levou o tear para Lyon, pois as pessoas tinham medo de perder o emprego. Em sete anos, já havia 11 mil teares desse tipo operando na França.
Babbage e Ada
O brilhante matemático inglês Charles Babbage (26 de dezembro de 1791 - 18 de outubro de 1871) é conhecido como o "Pai do Computador". Babbage projetou o chamado "Calculador Analítico", muito próximo da concepção de um computador atual. O projeto, totalmente mecânico, era composto de uma memória, um engenho central, engrenagens e alavancas usadas para a transferência de dados da memória para o engenho central e dispositivos para entrada e saída de dados. O calculador utilizaria cartões perfurados e seria automático. Por algum tempo, o governo britânico financiou Babbage para construir a sua invenção.
Em parceria com Charles Babbage, Ada Augusta (1815-1852) ou Lady Lovelace, filha do poeta Lord Byron, era matemática amadora entusiasta. Ela se tornou a pioneira da lógica de programação, escrevendo séries de instruções para o calculador analítico. Ada inventou o conceito de subrotina, descobriu o valor das repetições - os laços (loops) e iniciou o desenvolvimento do desvio condicional. Babbage teve muitas dificuldades com a tecnologia da época, que era inadequada para se construir componentes mecânicos com a precisão necessária. Com a suspensão do financiamento por parte do governo britânico, Babbage e Ada utilizaram a fortuna da família Byron até a falência, sem que pudessem concluir o projeto, e assim o calculador analítico nunca foi construído.
A lógica booleana
As máquinas do início do século XIX utilizavam base decimal (0 a 9), mas foram encontradas dificuldades em implementar um dígito decimal em componentes eletrônicos, pois qualquer variação provocada por um ruído causaria erros de cálculo consideráveis. O matemático inglês George Boole (1815-1864) publicou em 1854 os princípios da lógica booleana, onde as variáveis assumem apenas valores 0 e 1 (verdadeiro e falso), que passou a ser utilizada a partir do início do século XX.
Hollerith e sua máquina de perfurar cartões
Por volta de 1890, Dr. Herman Hollerith (1860-1929) foi o responsável por uma grande mudança na maneira de se processar os dados dos censos da época. Os dados do censo de 1880, manualmente processados, levaram 7 anos e meio para serem compilados. Os do censo de 1890 foram processados em 2 anos e meio, com a ajuda de uma máquina de perfurar cartões e máquinas de tabular e ordenar, criadas por Hollerith e sua equipe.
As informações sobre os indivíduos eram armazenadas por meio de perfurações em locais específicos do cartão. Nas máquinas de tabular, um pino passava pelo furo e chegava a uma jarra de mercúrio, fechando um circuito elétrico e causando um incremento de 1 em um contador mecânico.Mais tarde, Hollerith fundou uma companhia para produzir máquinas de tabulação. Anos depois, em 1924, essa companhia veio a se chamar IBM.
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