InformáticaÁREA DE INFORMÁTICA: WEB SOCIAL

Organizada por Alexsandro Barbosa Costa, Janeiro de 2007

Doenças da Internet

A Internet criou uma enorme variedade de doenças e vícios, assegura a revista New Scientist, que os disseca e exemplifica na sua edição de Natal. Chicletpod, cibercondria, crackberry ou egonavegação parecem palavras sem sentido mas foram os términos escolhidos pela "New Scientist" para denominar alguns dos vícios e doenças que o uso generalizado e descontrolado da Internet fez aparecer.

As novas tecnologias vieram revelar um vasto leque de problemas de personalidade, quem é que nunca deu por si a escrever um e-mail para um amigo ou colega que está a alguns passos de distância em vez de falar directamente com ele?

Algumas pessoas navegam na Internet para coscuvilhar informações acerca de velhos amigos, antigos namorados ou até pessoas que conheceram recentemente. Há cada vez mais pessoas que usam a web e a blogoesfera como uma espécie de diário virtual, revelando segredos ou informações que de outra forma permaneceriam na esfera da vida privada.

Isto já para não falar de quem, sob o manto do anonimato, se diverte a fazer de conta que é uma pessoa diferente da que realmente é. Mas a questão que o autor da matéria considera relevante é saber se estas são síndromes da Web ou "tiques tecnológicos" ou novas versões de velhos problemas.

Desenvolver maus hábitos é muito mais fácil do que se supõe, garante. Mark Griffiths, investigador de comportamentos adictivos na Universidade Nottingham Trent, no Reino Unido, parece concordar com esta ideia.

"Potencialmente, uma pessoa pode viciar-se em qualquer coisa que faça", revela. "Na verdade, embora as definições de dependência variem, existem indícios que sugerem que os hábitos adictivos partilham o mesmo pathos ", sejam em relação a drogas ou a outra coisa qualquer, acrescenta o especialista.

Apesar de os cibernautas que se podem classificar como estando verdadeiramente viciados em tecnologia serem uma minoria, uma pesquisa não-científica elaborada pela equipa da "New Scientist" na Internet revelou que há uma série de vícios que são cada vez mais frequentes no universo de pessoas que usam os meios tecnológicos.

Entre os inúmeros exemplos que o artigo cita está o caso dos que se viciaram na Wikipedia. Cerca de 2400 "wikipedianos" já contribuíram com mais de 400 páginas cada para a enciclopédia livre. Também os fotologs, do género do Flickr, surgem como "culpados", com cada vez mais cibernautas a assumir que diariamente se entretêm a ver fotografias de pessoas que não conhecem.

Os programas de e-mail também podem ser um meio propício para ganhar um comportamento disfuncional. De acordo com um estudo elaborado por Pam Briggs, especialista na interacção Homem-computador, numa mensagem de correio electrónico as pessoas tendem a escrever coisas exageradas, que nunca diriam em voz alta numa sala com várias pessoas.

A explicação, segundo a investigadora, está relacionada com a ausência de algumas "muletas" comunicacionais importantes, como as expressões faciais ou a linguagem corporal, uma falta que pode ser compensada através das palavras.

Antes de encontrar alguma destas manias "no sapatinho" o melhor é consultar a lista de tecno-distúrbios elaborada pela publicação. No artigo de Richard Fisher pode ainda se consultar testemunhos de alguns ciber-viciados.

* Blogoindiscrição: Revelar segredos ou informações pessoais online que, para sua própria segurança, deveriam manter-se privadas.

* Blackberrymania: A doença do executivo moderno, que não consegue parar de consultar o seu PDA (BlackBerry ou outro) mesmo em situações graves como um funeral.

* Cibercondria: Tem uma dor de cabeça e, ao mesmo tempo, um eczema? Uma pesquisa aprofundada na Internet poderá ditar que tem ...cancro.

* Egonavegação: Quando o “Deixa-me só ver” fica fora de controle. Quando você pesquisa o seu nome e informações sobre si na internet repetidamente.

* Infodependência: Quando adquirir e partilhar informação se torna um vício.

* Narcisismo You Tube: Nem mesmo o seu melhor amigo quer ver horas e horas dos vídeos das suas férias!

* Google-espionagem: Vigiar online velhos amigos, ex-namorados, colegas ou pessoas com quem se vai encontrar pela 1ª vez.

* Personificação MySpace: Muitas pessoas tentam parecer ser alguém diferente do que são; algumas fazem-se passar por figuras públicas.

* Fotobisbilhotice: Navegar por álbuns de fotografias online de alguém que não conhece.

* Wikipediomania: Dedicação excessiva à famosa enciclopédia online.

* Chicletepod: Descarregar uma música invulgarmente kitsch . As vítimas são geralmente fãs dos hits de soft-rock dos anos 1970.

 

 

Fonte: Ghost-Rat / veja também Ciberespaço

 

 

 

 

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